Mostrando postagens com marcador mosquitos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mosquitos. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Ultrassom não repele mosquitos

     Em 2012, uma campanha bastante inusitada rendeu o primeiro Grand Prix brasileiro, em Cannes, na categoria Rádio.
     A idealizadora da campanha foi a agência Talent, que criou um case para a edição nacional da revista Go Outside, direcionada ao público que gosta de esportes ao ar livre. A campanha focou em um dos principais problemas para tal público: os mosquitos.
     Durante todos os fins de semana do verão 2012, entre 17 horas e 19 horas, a rádio Band FM de São Paulo transmitiu um sinal de alta frequência (15 kHz), a mesma emitida por libélulas, uma predadora natural dos mosquitos. O sinal é praticamente inaudível ao ouvido humano, mas percebido por esses insetos.
     A ideia era que, ao ouvir o sinal, os mosquitos se afastassem da fonte de emissão. Em 15 dias de transmissão, três milhões de aparelhos sintonizaram o sinal. O trabalho ganhou destaque na premiação pela criatividade de uso do meio.
     O único problema é que os cientistas o chamaram de “completa baboseira”.
     Como golpe publicitário, é muito convincente, de fato. Nada de repelentes, sprays, raquetes: tudo o que você precisa fazer é ouvir a Band FM.
     O problema aqui, de acordo com o entomologista Bart Knols, é que não há “nenhuma evidência científica” de que o ultrassom repele mosquitos.
     O equívoco de que mosquitos podem ser detidos por ultrassom tem rodado por quase 40 anos: pelo menos uma revisão científica de um repelente eletrônico foi publicada em 1974.
     Uma revisão de 10 estudos feita em 2010 concluiu que dispositivos ultrassônicos “não têm efeito na prevenção de picadas de mosquito”, e “não devem ser recomendados ou usados”. Isso porque podem levar a uma falsa ideia de proteção e, em países onde mosquitos transmitem malária, dengue, entre outras doenças, pode ser potencialmente perigoso para aqueles que estão achando que ouvir tal programa na rádio os deixa seguros.
     A revisão feita por diversos cientistas ainda alerta que sequer vale a pena estudar mais o assunto. É definitivo: ultrassom não repele mosquito.


     A campanha da Band FM foi baseada em um sinal de alta frequência de 15 kHz, emitido por libélulas, predadoras dos mosquitos. Na verdade, diz Knols, libélulas têm uma frequência de batimento de asa de entre 20 e 170 Hz, muito mais baixa do que 15 kHz. Ainda assim, esta frequência mais baixa é igualmente inútil em afastar mosquitos ou impedi-los de lhe morder.
     A Band FM não foi a primeira estação a transmitir frequências supostamente repelentes de mosquito, mas a ideia (felizmente) não pegou. Muito mais comuns, no entanto, são aparelhos eletrônicos de ultrassom, comercializados como repelentes em muitos países.
     Em 2005, a revista britânica “Holiday Which?” testou uma série de repelentes eletrônicos de mosquitos. Os quatro aparelhos testados foram descritos como “um desperdício de dinheiro” e foi dito que “deveriam ser retirados” das prateleiras.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Mosquito da dengue criou resistência a repelente, diz pesquisa

     A substância, conhecida como DEET, ou dietiltoluamida, é largamente empregada em repelente contra insetos, combatendo mosquitos, pernilongos, muriçocas e borrachudos. O composto age interferindo nos receptores sensoriais desses animais, inibindo seu desejo de picar o usuário.
     O estudo, divulgado pela publicação científica Plos One, analisou a reação de mosquitos da espécie Aedes aegypti, vetores da dengue e da febre amarela, à substância. Os cientistas concluíram que, ainda que inicialmente repelidos pelo composto químico, os insetos depois o ignoraram.
     Eles recomendaram que governos e laboratórios farmacêuticos realizem mais pesquisas para encontrar alternativas à DEET.
     Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dengue é hoje a doença tropical que se propaga mais rapidamente no mundo. Nos últimos 50 anos, sua incidência aumentou 30 vezes, o que pode transformá-la em uma pandemia, advertiu o órgão.
     Para provar a eficácia da DEET os cientistas pediram a voluntários que aplicassem repelente com DEET em um braço e soltaram mosquitos.
     Como esperado, o repelente afastou os insetos. No entanto, poucas horas depois, quando ofereceram aos mesmos mosquitos uma nova oportunidade de picarem a pele, os cientistas constataram que a substância se mostrou menos eficiente.
     Para investigar os motivos da ineficácia da DEET, os pesquisadores puseram eletrodos na antena dos insetos.

Translate